Você está jogando Frescobol ou Tênis? (por Marcos Ton)

Você está jogando Frescobol ou Tênis? (por Marcos Ton)
17/06/2016 Marcos Ton

Marcos Ton frescobol-ou-tenisAo longo de mais de 20 anos atuando como executivo de grandes empresas, e posteriormente também consultor, trainer e coach na área de consultoria e treinamento de vendas e liderança, eu confesso e reconheço que por vezes fui “contaminado” por este modelo mental míope, curto e limitado que é o de ver o mundo todo do ponto de vista concorrencial.

Por outro lado, eu sei que nós não podemos ser hipócritas ou inocentes acreditando que a adoção de uma postura “não concorrencial” resolverá todas as situações na criação das melhores oportunidades de negócios – principalmente diante de pessoas ou empresas com baixa maturidade profissional.

Este ponto me faz lembrar da abordagem de negociação que diz que existem basicamente três maneiras de ver um negócio, uma parceria ou qualquer relação empresarial:

  • Ganha/perde: é a postura mais comum adotada pela maioria das pessoas de negócios e ela é norteada pelo raciocínio de que em todas as situações EU preciso ganhar e você precisa perder, ou seja, o importante é ver o meu lado;
  • Perde/perde: é a postura mais insana que pode ser adotada pelas pessoas na vida pessoal ou profissional, pois aqui o raciocínio é que Eu posso perder, mas você vai perder também – ou seja, é a adoção da postura suicida;
  • Ganha/ganha ou nada feito: é a postura mais adequada que existe, pois o raciocínio aqui é perseguir o que realmente seja bom para ambos os lados – não necessariamente de forma exatamente igual – mas satisfatória para cada um, aqui o raciocínio é Eu preciso ganhar e você também precisa ganhar, ou seja, somente juntos podemos verdadeiramente ganhar.

Tente sempre construir de forma conjunta uma posição de “ganha-ganha”, porém lembre-se da máxima: “ganha-ganha ou nada feito”. Eu e você sempre temos a opção de escolher e temos o grande poder de dizer NÃO!!!

O insight que quero compartilhar contigo hoje é a interessante analogia que todos nós podemos fazer entre o jogo de “frescobol e o tênis” e como muitas vezes as pessoas enxergam a vida a sua volta de uma forma ou de outra.

No jogo do tênis o principal objetivo é de derrotar o oponente, ou seja, o outro jogador. Assim todos os esforços no fundo são feitos para fazer o outro errar – ou não conseguir rebater a bola de tênis lançada. Muitos dos campeões de tênis concluem que a melhor jogada é aquela feita com uma clareza sobre onde está o ponto fraco do outro, ou seja, joga-se para fazer o outro errar e a vitória só existe nesta condição.

O resultado do jogo de tênis é simples: terminar o jogo com um lado feliz e realizado porque ganhou em cima dos erros ou falhas do outro lado

Na mesma analogia, se pensarmos na proposta do frescobol que possui inúmeras semelhanças ao jogo de tênis, este jogo é jogado com uma mentalidade totalmente diferente, e isto faz muito sentido no mundo de hoje que está altamente conectado, sinérgico, contributivo, cooperador, construtivo e avançando dia a dia para uma economia totalmente diferente daquela que conhecemos até hoje, a economia da criação de valor.

No frescobol não conta se um jogador é bom ou é ruim, pois o que importa é a capacidade dos dois jogarem juntos, nesta proposta os dois ganham ou ninguém ganha. E o interessante disto é perceber que o desejo de derrotar o outro é substituído pela vontade de jogar de forma que o outro acerte e que juntos seja criada uma fluidez das jogadas.

O resultado do jogo de frescobol é atingir um alto nível de sinergia, onde não existe adversários mas parceiros – chegando ao ponto de um lado ficar chateado consigo mesmo quando o outro lado erra, pois há o entendimento de que qualquer erro é parte integrante de uma jogada comum e conjunta…

Veja que no frescobol não tem tanta importância quem acerta ou erra, o que importa é manter o jogo ativo, manter os dois jogadores jogando juntos – tanto é que quando ocorre um erro, independente de quem foi o responsável, rapidamente ambos lados recomeçam pois o foco aqui é outro: é ganha-ganha!

Transferindo este pensamento para o mundo dos negócios, perceba que nos relacionamentos pessoais ou profissionais do tipo tênis é sempre assim: um lado recebe as palavras, as ideias ou propostas do outro e rebate com críticas com o objetivo de ganhar.

Já nos relacionamentos pessoais ou profissionais do tipo frescobol o pensamento dominante é totalmente diferente: um lado recebe as palavras do outro como ensinamentos, dicas, sugestões, ideias que são recebidas, energizadas e devolvidas acrescentadas de valor.

E a pergunta que eu lhe é faço hoje é: você está jogando tênis ou frescobol? No seu jogo só você ganha ou quem atua contigo ganha também? As suas jogadas são focadas em fazer o outro acertar ou errar? O saldo do seu jogo tem sido positivo ou negativo?

Lembre-se que na mentalidade do frescobol, ninguém perde porque o objetivo final é ganhar junto e jogar junto o maior tempo possível…

Pare e pense sobre isto. Reflita e mude sua atitude pessoal de “jogo” e veja como você vai ganhar muito mais!

Artigo original aqui.

Consultor, Trainer, Business Coach e Action Learning Coach.